
O futebol de base brasileiro revelou uma realidade pouco discutida e bastante preocupante. Em entrevista ao podcast Sports Market Makers, Gustavo Aranha, CEO do Sfera, relatou que reclamações envolvendo pais embriagados em jogos aos domingos à tarde ajudaram a provocar mudanças nos horários das partidas.
Segundo Aranha, a situação era recorrente e os jogos passaram a ser realizados pela manhã. A declaração chama atenção por expor um problema que vai além das quatro linhas: o comportamento dos próprios adultos em competições disputadas por crianças e adolescentes.
O caso ganha ainda mais força diante de episódios registrados recentemente no Campeonato Paulista. Em 2025, a Federação Paulista de Futebol determinou que partidas das categorias Sub-11 e Sub-12 fossem realizadas com portões fechados após uma série de ocorrências nas arquibancadas.
Até aquele momento, as competições haviam registrado 46 ocorrências, incluindo brigas, ameaças, ofensas, racismo e homofobia. Parte dos casos envolvia pais e responsáveis presentes nos jogos.
A situação levou a FPF a realizar duas rodadas completas sem a presença de público e, posteriormente, lançar uma campanha voltada diretamente aos pais, após relatos de jovens atletas sobre pressão e ofensas vindas das arquibancadas.

Problema fora de campo
O relato de Gustavo Aranha adiciona mais um elemento ao debate. Se o futebol de base deveria ser um ambiente de aprendizado e desenvolvimento, em alguns casos são justamente os adultos que acabam transformando a arquibancada em um problema.
A pressão excessiva, as cobranças e os comportamentos agressivos podem afetar diretamente crianças que estão dando os primeiros passos no esporte.
Gustavo Aranha é sócio-fundador e CEO do Sfera, clube criado com foco exclusivo na formação de atletas. Com mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro, ele passou a se dedicar integralmente ao projeto em 2023.
A fala do dirigente, porém, ultrapassa a realidade de um único clube.
Quando partidas de futebol infantil precisam mudar de horário por reclamações envolvendo pais embriagados ou ser disputadas com portões fechados, por causa do comportamento dos adultos, surge uma discussão necessária: quem está precisando aprender a se comportar no futebol de base?
Enquanto clubes e federações investem cada vez mais na formação de jovens jogadores, episódios como esses mostram que talvez seja preciso também olhar para quem está nas arquibancadas.
A entrevista completa está no canal Sports Market Makers : https://youtu.be/nUfXvFxPcXE?si=ibeVgShPaxl4uGg1