Livro lançado na UEPG dá voz a histórias marcadas pelo cárcere em Ponta Grossa

Obra de Kamile Almeida reúne relatos de pessoas que passaram pelo sistema prisional e propõe reflexão sobre memória, estigma e dignidade
Foto: Flávio Henrique.

A historiadora e pesquisadora Kamile Almeida lançou, na última sexta-feira (12), o livro Parecia que não tinha dia: vozes e silêncio da prisão, em evento realizado na Biblioteca da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), no campus Uvaranas. A atividade reuniu a autora, professores, convidados, amigos e apoiadores em torno de uma obra construída a partir da escuta, da pesquisa e da reflexão sobre o sistema prisional.

Publicado pela Texto e Contexto Editora, o livro apresenta narrativas de pessoas que passaram pelo cárcere em Ponta Grossa e discute as marcas deixadas pela prisão para além dos muros da penitenciária. A proposta da autora é dar visibilidade a histórias que, muitas vezes, permanecem em silêncio, abordando temas como memória, estigma, vulnerabilidade social, relações familiares, trabalho e liberdade vigiada.

A obra nasce do encontro entre a pesquisa acadêmica e a trajetória de vida de Kamile, que cresceu na periferia de Uvaranas, em Ponta Grossa, e acompanhou de perto realidades ligadas à vulnerabilidade social. Ao longo da pesquisa, a autora ouviu histórias de dor, resistência e esperança, compreendendo que os efeitos da prisão ultrapassam a pessoa encarcerada.

A prisão não atinge apenas quem está atrás das grades. Ela atravessa famílias, agentes penitenciários, policiais, assistentes sociais e todo o sistema de justiça. Por isso, este não é um livro sobre crimes. É um livro sobre pessoas”, destaca Kamile Almeida.

O título da obra vem da fala de um dos colaboradores entrevistados durante a pesquisa: “parecia que não tinha dia, todo dia era noite”. Segundo a autora, a expressão traduz a experiência do cárcere como um tempo suspenso, em que os dias perdem o sentido e a vida parece interrompida dentro dos muros.

Dividido em três capítulos, o livro acompanha diferentes momentos da experiência prisional: a entrada no sistema, a vida entre muros e os estigmas que permanecem após a liberdade. Com base na história oral, os relatos foram construídos a partir de entrevistas com pessoas que vivenciaram a reclusão, sempre com nomes fictícios e atenção aos princípios éticos da pesquisa.

Kamile Aparecida Lemes de Lima de Almeida é bacharela em História e mestra em História, Cultura e Identidades pela UEPG. Também possui formação em História, Pedagogia, Educação Especial Inclusiva e Neuropsicopedagogia. Para a autora, a publicação também representa uma forma de devolução à sociedade. “Acredito profundamente na educação pública. Foi ela que transformou a minha vida, e este trabalho também é uma forma de devolução”, afirma.

O acesso à obra está disponível pelo site da Texto e Contexto Editora: clique aqui para acessar o livro.

Assessoria de Imprensa

Compartilhe
Comente

Mais do Em PG é Assim

Sebrae/PR estreia na Festa do Feijão Preto com valorização de produtos de origem e pequenos negócios
Programação reúne produtos com Indicação Geográfica, oficinas gastronômicas, projetos locais e discussão sobre o potencial do feijão preto de Prudentópolis para uma IG
Aproaut comemora 30 anos de apoio ao autismo com jantar beneficente
Arrecadação será destinada à manutenção das atividades que atendem mais de 300 pessoas em Ponta Grossa
Aos 6 anos, atleta de Ponta Grossa vai competir na Festa do Peão de Barretos
Maria Júlia Silva Cruziniani, conhecida como Maju Furacãozinho, disputará provas de Três Tambores em um dos principais eventos do rodeio brasileiro

Categorias

Pontagrossauros 😂

Ria com os melhores memes de Ponta Grossa e região.

Dê uma volta ao passado com fotos de lugares marcantes em PG.

Confira a agenda de eventos de Ponta Grossa.