
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) estuda reformular o calendário das categorias de base e, entre as possibilidades, está a retirada do espaço tradicionalmente reservado à Copa São Paulo de Futebol Júnior, a Copinha. A entidade não pretende determinar o fim da competição, organizada pela Federação Paulista de Futebol (FPF), mas pode elaborar o calendário nacional sem considerar o torneio em janeiro.
A mudança abriria espaço para ampliar o período de férias e pré-temporada dos atletas, distribuir melhor competições como o Campeonato Brasileiro Sub-20 e, principalmente, criar uma nova competição nacional de base.
A proposta vem sendo discutida dentro do grupo de trabalho criado pela CBF em março para analisar melhorias na formação de jogadores. A ideia é desenvolver um torneio mais abrangente nacionalmente, com vagas definidas por um ranking atualizado a cada temporada, sem depender de convites.
Para participar, os clubes teriam de cumprir critérios como desempenho em competições estaduais e nacionais Sub-20, estrutura adequada, qualificação da comissão técnica e possuir o Certificado de Clube Formador. Outra diferença seria a regionalização das sedes, permitindo que os jogos sejam realizados em diferentes regiões do país, e não concentrados apenas no estado de São Paulo.
Nos bastidores, uma das principais críticas à Copinha está justamente no modelo de participação. Com 128 equipes, a competição tem vagas distribuídas pela FPF, que também delega às federações estaduais a definição dos representantes de fora de São Paulo. A participação não é obrigatória: em 2026, por exemplo, o Flamengo optou por não disputar o torneio e utilizou seu Sub-20 no Campeonato Carioca.
Apesar das críticas, a Copinha mantém enorme importância como vitrine para jovens jogadores. A edição de 2026 teve 23 clubes estreantes, enquanto o regulamento permitiu atletas nascidos entre 2005 e 2010, incluindo jogadores de até 21 anos. A competição é financiada por direitos de transmissão, patrocínios e parcerias com prefeituras paulistas, responsáveis por parte da logística e hospedagem das equipes.
A discussão também pode gerar desgaste político entre CBF e FPF. Embora as entidades mantenham boas relações atualmente, a proposta altera diretamente o espaço de uma das competições mais tradicionais do futebol brasileiro. A própria CBF reconhece o peso histórico da Copinha, que chegou a ser definida pelo presidente Samir Xaud como um torneio que representa o sonho dos jovens jogadores de todo o país.
A FPF costuma promover reuniões para discutir melhorias na competição, mas não se manifestou oficialmente sobre o possível novo cenário.
As informações foram divulgadas inicialmente pelo repórter Igor Siqueira, do UOL.